sexta-feira, 6 de março de 2009


Essa Mulher



De manhã cedo, essa senhora se conforma
Bota a mesa, tira o pó, lava a roupa, seca os olhos
Ah. como essa santa não se esquece de pedir pelas
mulheres
Pelos filhos, pelo pão
Depois sorri, meio sem graça
E abraça aquele homem, aquele mundo
Que a faz, assim, feliz
De tardezinha, essa menina se namora
Se enfeita, se decora, sabe tudo, não faz mal
Ah, como essa coisa é tão bonita
Ser cantora, ser artista
Isso tudo é muito bom
E chora tanto de prazer e de agonia
De algum dia, qualquer dia
Entender de ser feliz
De madrugada, essa mulher faz tanto estrago
Tira a roupa, faz a cama, vira a mesa, seca o bar
Ah, como essa louca se esquece
Quanto os homens enlouquece
Nessa boca, nesse chão
Depois, parece que acha graça
E agradece ao destino aquilo tudo
Que a faz tão infeliz
Essa menina, essa mulher, essa senhora
Em que esbarro toda hora
No espelho casual
É feita de sombra e tanta luz
De tanta lama e tanta cruz
Que acha tudo natural. Feliz 08.03.2009

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009


...e quando estava com a febre da pintura
ficava olhando para o pc e fiz esta...
e minha filha presenteou uma amiga.

LIBERDADE
O homem, embora nasça livre, permanecerá escravo
das leis desumanas legadas por seus antepassados,
pois o destino, que imaginamos um segredo superior,
nada mais é do que a aberração de submetermos nosso
dia de hoje aos decretos de nosso ontem, e o dia de amanhã
aos decretos de hoje.


KHALIL GIBRAN
Do livro: Asas Partidas

sábado, 14 de fevereiro de 2009






Final do ano passado me aposentei, era final de ano, muito agito, agora me agarrei no crochê...
Um vestido que fiz a tempos e a tal blusa, só que eu já estou bem adiantada nesta outra colorida!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Carnaval 2008


Filhos : Carol, Cairo, eu e quem manda lá em casa...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009



Manuel Bandeira


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Paisagem noturna


A sombra imensa, a noite infinita enche o vale . . .
E lá do fundo vem a voz
Humilde e lamentosa
Dos pássaros da treva. Em nós,
— Em noss'alma criminosa,
O pavor se insinua . . .
Um carneiro bale.
Ouvem-se pios funerais.
Um como grande e doloroso arquejo
Corta a amplidão que a amplidão continua . . .
E cadentes, metálicos, pontuais,
Os tanoeiros do brejo,
— Os vigias da noite silenciosa,
Malham nos aguaçais.


Pouco a pouco, porém, a muralha de treva
Vai perdendo a espessura, e em breve se adelgaça
Como um diáfano crepe, atrás do qual se eleva
A sombria massa
Das serranias.


O plenilúnio via romper . . . Já da penumbra
Lentamente reslumbra
A paisagem de grandes árvores dormentes.
E cambiantes sutis, tonalidades fugidias,
Tintas deliqüescentes
Mancham para o levante as nuvens langorosas.


Enfim, cheia, serena, pura,
Como uma hóstia de luz erguida no horizonte,
Fazendo levantar a fronte
Dos poetas e das almas amorosas,
Dissipando o temor nas consciências medrosas
E frustrando a emboscada a espiar na noite escura,
— A Lua
Assoma à crista da montanha.
Em sua luz se banha
A solidão cheia de vozes que segredam . . .


Em voluptuoso espreguiçar de forma nua
As névoas enveredam
No vale. São como alvas, longas charpas
Suspensas no ar ao longe das escarpas.
Lembram os rebanhos de carneiros
Quando,
Fugindo ao sol a pino,
Buscam oitões, adros hospitaleiros
E lá quedam tranqüilos ruminando . . .
Assim a névoa azul paira sonhando . . .
As estrelas sorriem de escutar
As baladas atrozes
Dos sapos.


E o luar úmido . . . fino . . .
Amávico . . . tutelar . . .
Anima e transfigura a solidão cheia de vozes . . .


Teresópolis, 1912


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009




também trabalhei muito, fiz este caminho de barbante, e ja terminei a blusa abaixo, qdo fizer a foto coloco aqui.

Colcha de Fuxico



Minha mãe terminou esta colcha, trabalhou nela por 4 anos, repare que tem um bordadinho no centro de cada fuxico, ficou linda...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009



Achei esta blusa e fiquei desesperada por ela,
e como esta crise do crochê não quer passar
já estou pra lá da metade...

A Felicidade é um bem que se multiplica ao se dividir.

domingo, 18 de janeiro de 2009


Aí está o gráfico, mudei o ponto segredo do centro do motivo e o contorno, usei dois fios de linha Cleia.


Vicente de Carvalho


"Deixa-me, fonte!" Dizia
A flor, tonta de terror.
E a fonte, sonora e fria,
Cantava, levando a flor.
"Deixa-me, deixa-me, fonte!
" Dizia a flor a chorar:
"Eu fui nascida no monte...
"Não me leves para o mar".
E a fonte, rápida e fria,
Com um sussurro zombador,
Por sobre a areia corria,
Corria levando a flor.
"Ai, balanços do meu galho,
"Balanços do berço meu;
"Ai, claras gotas de orvalho
"Caídas do azul do céu!...
Chorava a flor, e gemia,
Branca, branca de terror,
E a fonte, sonora e fria
Rolava levando a flor.
Adeus, sombra das ramadas,
"Cantigas do rouxinol;
"Ai, festa das madrugadas,
"Doçuras do pôr do sol;
"Carícia das brisas leves
"Que abrem rasgões de luar...
"Fonte, fonte, não me leves,
"Não me leves para o mar!...
" As correntezas da vida
E os restos do meu amor
Resvalam numa descida
Como a da fonte e da flor...

Coisinhas minhas...


Esta foi a última telinha que fiz... fiquei sem inspiração mas já estou querendo recomeçar...

terça-feira, 13 de janeiro de 2009




...e como estou queimando de febre de crochê fiz este caminho, já terminei, vou engomá-lo e colocar aqui...







Devem ter 5 anos que fiz esta blusa para minha filha, sempre ela usa, já está bem velhinha, desbotando, outro dia ela botou ela e aproveitei pra tirar a foto.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Desencanto (Manuel Bandeira)

Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

Eu faço versos como quem mor

sábado, 3 de janeiro de 2009

Minha Netinha

Plenitude

Manoel Bandeira


Vai alto o dia. O sol a pino ofusca e vibra
O ar é como de forja. A força nova e pura
Da vida embriaga e exalta. E eu sinto fibra a fibra
Avassalar-me o ser a vontade da cura


A energia vital que no ventre profundo
Da terra estuanta ofega e penetra as raízes
Sobe no caule, faz todo galho fecundo
E estala na amplidão das ramadas felizes


Entra-me como um vinho acre pelas narinas
Arde-me na garganta... e nas artérias sinto
O bálsamo aromado e quente das resinas
Que vem da exalação de cada terebinto


O furor de criação dionisíaco estua
No fundo das rechãs, no flanco das montanhas
E eu absorvo-o nos sons, na glória da luz crua
E ouço-o ardente bater dentro em minhas entranhas


Tenho êxtases de santo...Ânsias para a virtude
Canta em minh'alma absorta um mundo de harmonias
Vêm-me audácias de herói. Sonho o que jamais pude
-Belo como Davi, forte como Golias...


E neste curto instante em que todo me exalto
De tudo o que não sou, gozo tudo o que invejo,
E nunca o sonho humano assim subiu tão alto
Nem flamejou mais bela a chama do deserto


E tudo isso me vem de vós, Mãe Natureza!
Vós que cicatrizais minha velha ferida...
Vós que me dais o grande exemplo da beleza
E me dais o divino apetite da vida!

crochê

"Cacoete"
Eva Furnari

"Cacoete" Eva Furnari



sexta-feira, 26 de dezembro de 2008